Tão paraguaio quanto a mandioca

Queria falar sobre o Paraguai.

Passei o verão por lá. O que, vamos admitir, foi uma decisão bem idiota em alguns pontos. Eu detesto o calor, fortemente. Mas, por algum motivo, o Paraguai se encaixava na minha cabeça como um país do Cone Sul.

Meu processo de escolha levava em conta alguns aspectos... Quero um país que fale espanhol, que tenha oportunidade para um voluntariado em marketing e que eu não tenha visitado. Uruguai, Argentina e Chile estavam fora da jogada. Pensei em Guatemala, México, Costa Rica... e aí vi o preço das passagens. Erm, que tal ficarmos pela América do Sul mesmo?

E aí surgiu Paraguai. Quer um país mais incógnita que o Paraguai? Quer dizer. O que você sabe sobre o Paraguai? Muamba. E que não tem mar. Praia não me faz muita diferença. Partiu Paraguai.

Fiz uma pesquisa rápida, a maior parte envolvendo História geral. Colonizadores, relacionamento (estranhamente amigável) com os indígenas, a Guerra da Tríplice Aliança e a Guerra do Chaco (escolhi me referir a elas com o nome paraguaio mesmo mentalmente). Em nenhum momento passei para a Geografia, seja física ou política, do lugar.

Idiota.

Durante as entrevistas, a Rocío, meu contato da AIESEC Paraguay (agora com Y) me contou que o verão era quente. Não dei bola e segui com meus planos.

Idiota.

32 graus de noite. Onde eu moro, não faz 32 graus nem de meio dia no auge do verão.

Mas o Paraguai tem a mágica da energia elétrica barata. Ar-condicionado e ventilador são itens obrigatórios em quase qualquer lugar. Não foi tão difícil assim, e até sinto falta das noites quentes.

O que eu acho mais incrível do Paraguai é como eu passei por experiências estranhas lá, e mesmo assim sou apaixonada pelo lugar.

Como assim?

Bem, se você me seguia no Twitter na época que eu estava no Paraguai, deve ter reparado que eu só reclamava. Isso não é novidade, eu só reclamo, principalmente no Twitter e em viagens. Mas é que no Paraguai eu tinha muitas coisas para reclamar sobre. Vamos às principais.

  1. Calor;
  2. Ruas e calçadas esburacadas;
  3. Sujeira (talvez essa seja a mais injusta, é que brasileiro é limpinho as vezes até demais, então não tem muito parâmetro pra comparação);
  4. Minha segunda host family (enfatizo mil vezes que foi a segunda host family).

O item 4 se desdobrava em mil, porque o pessoal daquela casa era muito sinistro mesmo. Mas isso merece um outro texto específico só sobre isso.

Um problema específico com isso é que eu sempre associei o ato de escrever com desabafo, como uma maneira de externar as coisas que eu considero ruins e erradas. Dificilmente eu escrevia sobre coisas boas. Então se torna especificamente difícil para mim encontrar maneiras de escrever sobre o Paraguai em uma luz positiva.

Só que na minha cabeça, o Paraguai só tem pontos positivos.

Bizarro, não?

Logo venho falar sobre esses pontos positivos e sobre a experiência como um todo.

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